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16 setembro 2016

Quando finalmente voltará a ser como nunca foi - Joachim Meyerhoff

   Isso é normal? Crescer entre centenas de pessoas com deficiência física e mental, como o filho mais novo do diretor de um hospital psiquiátrico para crianças e jovens? Nosso pequeno herói não conhece outra realidade - e até gosta muito da que conhece. O pai dirige uma instituição com mais de 1.200 pacientes, ausenta-se dentro da própria casa quando se senta em sua poltrona para ler. A mãe organiza o dia a dia, mas se queixa de seu papel. Os irmãos se dedicam com afinco a seus hobbies, mas para ele só reservam maldades. E ele próprio tem dificuldade com as letras e sempre é tomado por uma grande ira. Sente-se feliz quando cavalga pelo terreno da instituição sobre os ombros de um interno gigantesco, tocador de sinos.
Joachim Meyerhoff narra com afeto e graça a vida de uma família extraordinária em um lugar igualmente extraordinário. E a de um pai que, na teoria, é brilhante, mas falha na prática. Afinal, quem mais conseguiria, depois de se propor a intensificar a prática de exercícios físicos ao completar 40 anos, distender um ligamento e nunca mais tornar a calçar o caro par de tênis? Ou então, em meio à calmaria, ver-se em perigo no mar e ainda por cima derrubar o filho na água? O núcleo incandescente do romance é composto pela morte, pela perda do que já não pode ser recuperado, pela saudade que fica - e pela lembrança que, por sorte, produz histórias inconcebivelmente plenas, vivas e engraçadas.

   Em "Como finalmente voltará a ser como nunca foi" temos um cenário um tanto quanto diferente: um hospital psiquiátrico. É lá que Joachim vive, mas não porque possui problemas mentais ou algo do tipo. Seu pai é médico no hospital e a sua família simplesmente vive na propriedade, na casa principal, em meio a toda loucura. 
   Mas, é uma loucura boa, diga-se de passagem. Nesse livro conhecemos personagens incríveis que estão no hospital para se sentirem melhor, mas que, apesar de todos os diagnósticos, são pessoas maravilhosas e muito curiosas. A loucura que Joachim vive não é por conta de qualquer doença que possa o rodear e sim porque ele tem, com toda certeza, uma das maiores famílias que existe: seus dois irmãos, sua mãe, seu pai e os pacientes. 
   Nesse livro não temos um grande acontecimento. A rotina do hospital psiquiátrico é narrada de forma leve e elaborada, apresentando os pequenos ou grandes acontecimentos de cada dia e de forma muito especial porque é tudo visto pelos olhos de um garoto de 7 anos de idade. Joachim é curioso, é falante, uma criança de forte personalidade e que eu gostaria muito de conhecer pessoalmente!
   O que mais me chamou a atenção durante a leitura foi a própria família do menino. Viver dentro de uma instituição psiquiátrica e ter que administrá-la não deve ser fácil, mas a medida do possível eles tentam levar a vida como se morassem em um bairro familiar qualquer. 
   Apesar de serem considerados sãos, cada um vive e possui sua pequena loucura. A começar pelo próprio pai de Joachim, o médico que trata dos diagnósticos mas que, em casa, não quer saber de conversar e seus momentos são preenchidos por jornais e livros, é claro que a gente conhece pessoas assim, e será que isso não seria um tipo de loucura? Já a mãe de Joachim é uma mulher com personalidade tanto quanto fraca, sempre atarefada com os afazeres domésticos e com seus sonhos de um dia conhecer a tão ensolada Itália. E os irmãos mais velhos... ah, esses pestinhas... Cada um com sua característica marcante tenta ser dono dos acontecimentos do dia, são inteligentes os meninos, mas parece que a malinidade e um pouco de sangue frio corre por suas veias. 
   E depois de tudo isso é que vem a pergunta: Será que a loucura está do lado de fora ou do lado de dentro? Com nossas manias e características, acabamos não sendo todos um pouco loucos?
   Se tem uma coisa que me deixa feliz demais é quando eu pego em mãos livros cativantes que contam histórias do dia-a-dia sem deixarem de ser super interessantes. Confesso que jamais imaginei uma história se passando dentro desse tipo de hospital, jamais imaginei como seria a relação de pessoas sãs no convívio diário com pertubações mentais... e Joachim Meyerhoff me surpreendeu demais com essa narrativa gostosa e que não deixou de ser interessante. Acho essencial em livros que falam sobre rotina a capacidade de prender o leitor mesmo nos pequenos acontecimentos. São muitos os livros que falam sobre o passar dos dias mas que preenchem as páginas com narrativas cansativas e maçantes... os clássicos parágrafos pra "encher linguiça". MAS, (e ainda bem!!) Quando finalmente voltará a ser como nunca foi (ufa!) é um livro encantador e muito bem escrito. E por conta disso que eu o recomendo e fortemente. Com certeza você vai se surpreender com uma família e um enredo que nunca imaginou.


"(...) encontrei meus pais dormindo juntos em uma cama. Meu pai tinha colocado o braço ao redor da minha mãe. A cabeça dela estava deitada em seu peito.Nunca os tinha visto tão juntos, tão próximos.
Sentei-me na beira da cama e fiquei olhando os dois. "Que estranho", pensei, "estes são seus pais. Seus pais dormindo. Você sempre teve só um pai e uma mãe, mas nunca pais."...
Foi o momento mais bonito da minha vida junto com meus pais."

3 comentários:

  1. Oi Kath!
    Que linda resenha, fiquei encantada pela premissa do livro. Eu adoro quando encontro uma obra cujo cenário seja em um ambiente um pouco diferente do que estamos acostumados a encontrar.E juntando isso à uma história profunda, acho que deve ser um livro muito cativante.
    Fiquei bem curiosa, para variar haha.
    Beijos!!!
    www.blogleituravirtual.com

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    Respostas
    1. Que bom que você gostou, Mari, porque o livro é realmente muito encantador... espero que leia e goste como eu! E não esqueça de vir contar o que achouu hahaha
      Beijoss

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  2. Olá!
    Conheci seu blog hoje e adorei o layout e o nome c:
    Nunca tinha ouvido falar desse livro e achei incrível o enredo, realmente fora do comum, parece ser muito interessante. Fiquei muito curiosa e amei muito essa capa, haha.

    Beijo,
    (letitbela.com)

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Obrigada pelo seu comentário! sua opinião é muito importante aqui no Vida em Marte, vou ler e responder com carinho ;)

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