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23 maio 2016

Batman: A Piada Mortal - Alan Moore e Brian Bolland - Edição Especial de Luxo

     Um dia ruim. É apenas isso que separa um homem são da loucura. Pelo menos segundo o Coringa, um dos maiores e mais conhecidos - se não o maior e mais conhecido - vilão do mundo dos quadrinhos. E ele quer provar o seu ponto de vista enlouquecendo ninguém menos que o principal aliado de seu maior inimigo: o comissário Gordon. Cabe ao Cavaleiro das Trevas impedir.

     Como eu disse que faria na resenha de Coringa, eu voltei para contar sobre outra HQ que traz o mais humorado e psicótico rival do Batman como personagem principal. Desta vez, trago Batman: A Piada Mortal. A revista é escrita por Alan Moore (criador de V de Vingança e de Watchmen) e desenhada por Brian Bolland (Camelot 3000 e Juiz Dredd). Foi lançada originalmente em 1988 e colorida por John Higgins, pois, por uma questão de tempo, Bolland não conseguiu fazê-lo.
      A história se inicia com o Batman indo até o Asilo Arkham fazer as pazes com o Coringa. Lá, ele descobre a fuga do palhaço e começa a sua caçada. Fora das grades, Coringa executa seu mais novo plano. Com a teoria de que qualquer homem são pode ficar louco após viver um dia de acontecimentos horríveis, ele decide botar essa ideia à prova, escolhendo o comissário Gordon, um dos homens mais equilibrados que conhece, como cobaia.
   Fazendo a comparação com a HQ de Brian Azzarello e Lee Bermejo, o roteiro e a arte são superiores. Em A Piada Mortal vemos mais do humor do Coringa, de suas brincadeiras insanas em momentos inoportunos, também vemos mais confronto entre ele e o Batman. Em relação à arte, mesmo sendo traços dos anos 80, as imagens são mais limpas.
  Em paralelo com a história principal, corre a história da origem do Coringa, de como um comediante fracassado vira o maior vilão dos quadrinhos, considerada a versão definitiva por muitos críticos, e acredito que esse seja o ponto mais alto da HQ. 
   Moore aproveita para mostrar um ponto de vista diferente (do Coringa) do porquê o Batman resolve vestir sua fantasia e combater o crime em Gotham e o evento que leva Barbara Gordon a se tornar a Oráculo.
    Bom, vocês viram que eu coloquei 'Edição Especial de Luxo" no título. Mas o que tem de diferente da original? Várias coisas:
     1) a primeira é bem visível: a capa dura, excelente, por sinal;
     2) recoloração da história feita pelo próprio Brian Bolland - talvez a mudança mais positiva;
   3) a HQ conta com prefácio de Tim Sale (artista da série de TV Heroes) e posfácio de Brian Bolland;
    4) tem também o arquivo com algumas das ilustrações originais de Bolland;
    5) essa edição não conta apenas com a história d'A Piada Mortal, ela tem também mais duas outras histórias: Sujeito Inocente, escrita e desenhada pelo Bolland e lançada em Batman: Black and White 4, e Batman e Robin, o Menino Prodígio, lançada em Batman 1, primeira revista solo do Morcegão, no ano de 1940.
    É interessante observar as diferenças entre esta última, A Piada Mortal e Coringa, ver as mudanças na arte, no jeito de transmitir a história.
   A HQ ainda recebeu, em 1989, o Eisner Awards em três categorias (melhor escritor, melhor desenhista e melhor álbum gráfico) e o Harvey Awards em quatro (melhor escritor, melhor desenhista, melhor álbum gráfico e melhor colorista). Também já figurou, por várias semanas, na lista de livros gráficos mais vendidos do The New York Times.

Post pelo colaborador: João Victor Krüger

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