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23 abril 2016

Iscas Vivas - Fabio Genovesi

 

    Fiorenzo não pode ser considerado um jovem de sorte. Além do infeliz nome que carrega, vive em Muglione - no interior de uma Toscana diferente dos cartões-postais - , sua mãe morreu há pouco mais de um ano, e seu pai, lunático proprietário da loja Magic Pesca, é, antes de mais nada, treinador da União Ciclística de Muglione, seleiro em que busca obstinadamente o grande campeão do futuro. Aos catorze anos, Fiorenzo perdeu a mão direita por culpa de um rojão e, embora tenha reagido com garra e criatividade, dedicando-se ao heavy metal com o louco entusiasmo típico da adolescência, logo descobriu que, na vida, o que falta conta muito mais do que aquilo que existe.
   Tiziana tem trinta e dois anos e, em comum com Fiorenzo, apenas a cidade natal, de onde fugiu para fazer mestrado no exterior, o que lhe abriu inúmeras possibilidades de trabalho. Mas ela tomou uma decisão inusitada e corajosa: voltar para casa e colocar o próprio conhecimento a serviço da comunidade. A cidadezinha de Muglione, em sinal de gratidão, oferece à moça a gestão do Centro de Informações para Jovens, que, porém, logo se transforma no ponto de encontro de jogadores de baralho da terceira idade, causando em Tiziana um intenso sentimento de inadequação. Ao mesmo tempo, um doce e complicado amor chega para abalar sua vida.
   Por fim, temos Mirko, o Campeãozinho, o menino prodígio que o pai de Fiorenzo descobriu em uma estrada perdida do sul do país e levou para Muglione. Mirko é um completo mistério, uma contradição viva: inteligentíssimo, mas ingênuo; potência imbatível nos pedais, mas desengonçado e frágil no cotidiano; ídolo dos fãs de ciclismo e alvo predileto de seus cruéis colegas de escola.
   Fiorenzo, Tiziana e o Campeãozinho: três mundos distintos que se encontram, por a-caso, em um lugar desolado e improvável, três destino que se cruzam e dão vida a um curto-circuito divertido e comovente, amargo e poético.

  O livro começa com Fiorenzo contando como perdeu a mão direita numa brincadeira que ele costumava fazer com seus amigos aos 14 anos. Depois, de volta ao presente e com 19 anos, passa a contar como anda a sua vida. Ele se sente culpado pela morte da mãe, acha que não consegue passar no Exame de Maturidade - exame que atesta a aprovação do ensino médio na Itália - e seu pai, Roberto Marelli, dono de uma loja de pesca e treinador de ciclismo, só tem olhos para sua mais nova promessa no esporte, Mirko, o Campeãozinho. Para Fiorenzo, a única esperança de uma vida melhor é a sua banda de heavy metal se tornar famosa.
   Paralela à história de Fiorenzo, temos a história de Tiziana, que aos 32 anos volta para sua cidade natal depois de anos estudando fora do país com a intenção de usar seu conhecimento para ajudar a cidade. No comando do Centro de Informações para Jovens, com o intuito de dar conselhos sobre estudos e trabalhos aos jovens da cidade, ela vê seu plano fracassar, uma vez que ninguém fora da terceira idade procura a instituição. Frustrada, ela começa a pensar se fez a escolha certa ao voltar para Muglione e se ir embora enquanto é tempo é a melhor opção.
   Junto a essas duas histórias, temos ainda uma terceira, a de Mirko Colonna. Descoberto ao acaso pelo pai de Fiorenzo em uma viagem que fez ao sul da Itália, Mirko, de 12 anos, é considerado a promessa italiana no ciclismo e uma esperança para os moradores de Muglione de que a cidade se torne conhecida. Saudado nas ruas pelos mais velhos, ele causa  inveja e repulsa em Fiorenzo, que pensa que o Campeãozinho só está ali para estragar sua vida. Todos pensam que sua vida é um mar de rosas, porém vão ver que não é e nunca foi assim.
   Esses três personagens tão diferentes se encontram e suas histórias se entrelaçam profundamente, de uma maneira que cada um deles muda a visão dos outros sobre suas vidas.

   Essa foi a minha primeira experiência com um escritor italiano. Fabio Genovesi conta uma história de superação às adversidades (Fiorenzo), segundas chances (Tiziana) e bullying (Mirko). A escrita do italiano é boa, bem escrita. Não lembro de ter achado erros de português nesse livro (o que é coisa rara). No entanto, demorei um bom tempo na primeira metade do livro, que conta mais do dia a dia de cada um do que qualquer outra coisa. Comecei a engrenar mesmo depois que Fiorenzo e Tiziana se conhecem, porque queria saber o que aconteceria com os dois. Depois que Fiorenzo e Mirko passam a conviver mais tempo juntos, a história também dá uma alavancada boa.
   O tipo de narração é atípico. Nos capítulos sobre Fiorenzo, é ele próprio quem narra, fazendo-o em primeira pessoa. Os demais capítulos são escritos em terceira pessoa, no entanto, nos de Tiziana, a narração é feita como se estivesse falando diretamente com a própria personagem, como uma espécie de consciência dela.

   Em relação aos personagens, Fiorenzo não me agradou, estava sempre reclamando, não importando o jeito com que as coisas eram feitas, se era feita de um jeito, reclamava, se era feita de outro, reclamava também, sem contar que se achava o rei do pedaço, querendo mandar em todos, sempre grosseiro.
   Com Tiziana foi um pouco diferente. Voltou à cidade que pouco tinha a oferecer a ela com um pen-samento de bom coração, querer fazer pelos jovens o que gostaria que tivessem feito por ela. Porém sentia vergonha da sua colega de quarto por não ser tão inteligente como ela mesma e, em certos momentos, por causa da sua insegurança, fez Fiorenzo de bobo.
   Já com o Mirko foi beem diferente. Depois de saber o que ele passou e ainda passa com a idade que tem, dá vontade de acolher ele nos braços e dizer que vai ficar tudo bem, que ele deve mandar todos pro inferno e ser ele mesmo.

  Além de tudo isso, a estrutura do livro é ótima, com capítulos curtos e notas de rodapé quando necessário. A capa é uma das mais bonitas dos livros que tenho, as linhas que cruzam horizontalmente são em alto-relevo.
Post pelo colaborador: João Victor Krüger


6 comentários:

  1. Oi, João!
    Eu jurava que esse livro seria de zumbis ou algo assim, julgando pelo título hahahhaha
    Infelizmente, o enredo dele não me interessou :(
    Beijos
    Balaio de Babados

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    1. Olá, Luiza Helena

      HAHAHAH realmente, nunca tinha pensado dessa forma, mas agora que falasse parece mesmo kkk
      pois é, não é muito do tipo de história que me agrada também, mas agora foi e fluiu com uma certa naturalidade também.

      Beeijos.

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  2. Oi!

    Não pensei que fosse sobre zumbis, mas gargalhei com o comentário aqui em cima!
    Hahahaha Adorei a dica, gosto muito de livros com histórias se cruzando :)

    Beijos,
    Giulia | www.1livro1filme.com.br

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    1. Oi, Giulia

      Eu também nunca tinha pensado em zumbis, mas depois que ela falou fez sentido shuahsua. Que bom que gostasse, dá uma lida e depois vem dizer o que achasse :D

      Beijos.

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  3. Já gostei desse livro só pela capa, e já quero muito ler e tirar minhas próprias conclusões. ótima resenha.
    Beijos, Bunny and Sara

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    1. Oi, Sara

      A capa é muito massa mesmo kk. Leia e depois venha dizer o que achou ^^

      Beijoss.

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Obrigada pelo seu comentário! sua opinião é muito importante aqui no Vida em Marte, vou ler e responder com carinho ;)

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