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01 dezembro 2012

Da janela do ônibus

                     


      Não sei se é porque desperta o meu lado “escritora”, mas eu tenho um certo fascínio de olhar pela janela do ônibus. Eu gosto de olhar o que me é desconhecido e imaginar, somente imaginar.
      Observar aquela mulher ruiva saindo do supermercado, ela deveria estar cansada, os ombros estavam caídos, deveria estar comprando o jantar pra somente ela, porque apesar de bonita ela não tinha marido, o mundo lhe pregara tantas peças que ela não confiava mais em homem nenhum.
      Aquele homem no bar, bebendo cerveja com os amigos e vendo o futebol. Festeja o gol do time preferido pagando uma rodada para todo mundo. Foi abandonado pela mulher, o futebol era a única coisa que lhe garantia um pouco de felicidade agora. Um homem não consegue viver direito sem a sua esposa. Ele não tinha escolha.
      Aquelas crianças brincando na rua, parecendo tão felizes. Mas havia um menino ali no meio que estava descobrindo o amor, talvez pela primeira vez. O jeito que olhava para a garotinha de vestido azul, a menininha que não queria correr como todos porque ia sujar a roupa que ganhara da avó, era de certo modo afetuoso mas também confuso. Não deveria ser nessa idade que os meninos tem nojo de meninas? Que os meninos só querem saber dos amigos, escolinhas de futebol e figurinhas? Porque ele se sentia assim em relação àquela garotinha de tranças curtas e pretas?
      E havia também as senhorinhas na janela, vendo cada movimento na rua. Estavam no fim da vida e não sabiam aproveitá-la enquanto podiam. Ficavam somente observando. Senhorinhas fofoqueiras. Olhavam para aquelas pessoas e lembravam do tempo que eram jovens, lembravam de seus esposos, talvez ainda esperassem a volta deles da viagem sem volta que é a morte.
      E por fim aquele casal saindo do cinema. Dava pra ver no sorriso estampado no rosto dela que alguma coisa especial tinha acontecido. Teria ele feito uma surpresa? É, ele havia pedido ela em namoro, um pedido lindo, típico de comercial de TV.
      É difícil aceitar que cada pessoa tem seu propósito na vida. Eu não posso decifrar nem premeditar o que se passar com cada um, seria de certo modo desconcertante. Sem graça. Vazio.
      Eu olho pra janela e vejo as montanhas passando, aquele lugar era um tanto deserto. Deserto como seria o coração de uma pessoa se pudéssemos decifrá-la a todo instante. Temos que descobrir aos poucos, da janela do ônibus, no elevador do prédio ou na fila da livraria.
       E não adianta eu olhar pela janela e tentar decifrar novos olhares e novas expressões. Tudo isso é muito particular. Cada caso, cada história e cada momento.  

6 comentários:

  1. Nossa! Impressionante, também tenho essa mania de olhar pra o mundo afora e tentar decifrar pelas caras o que se passa no coração. Mas cada um é muito mais que uma cara, que um gesto, que uma roupa. E como você mesma disse: cada caso, cada história e cada momento nada será igual.

    Bjo!

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  2. Que lindo... Adorei o texto, eu amo olhar pela janela do ônibus ver o mundo lá fora! O que as pessoas estão fazendo, as coisas que acontecem enfim... Amei o post, super bacana! Um grande beijo (:
    Sou Paty // clica no perfil

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  3. Perfeito, seu texto é tão leve...eu também tenho essa mania de imajinar como é a vida de outras pessoas...muito bom de ler flor! eu amei! aquela ruiva que estava cançada...muito bom
    http://www.em-momentos-assim.blogspot.com/

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  4. confesso que sou assim mesmo
    eu tenho uma imaginação e vivo as vezes com tanta intensidade que ja me vi chorando depois d descer do onibus
    ja escrevi canções - refroes que nao saem da mente
    escrevi peças textos
    tudo com a inspiração que vi pela janela do onibus
    acho que somos iguais nesse aspecto
    lindooo o que vc escreveu
    ;D
    radiopires.blogspot.com

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  5. É, janelas de ônibus são mesmo filosóficas!
    Digo isso por experiência própria! Hahaha!
    Amei seu texto... Tá ficando repetitiva, essa minha frase, né?! Mas, continua verdadeira!
    Xêro!
    ;)

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  6. Adorei... fico olhando janela e pensando na vida.. haha
    se sente num filme..
    Beijos,
    capuccinoeacetona.blogspot.com

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Obrigada pelo seu comentário! sua opinião é muito importante aqui no Vida em Marte, vou ler e responder com carinho ;)

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