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02 março 2017

O Menino Que Desenhava Monstros - Keith Donohue

   Jack Peter é um garoto de 10 anos com Síndrome de Asperger que quase se afogou no mar três anos antes. Desde então, ele só sai de casa para ir ao médico. Jack está convencido de que há monstros embaixo de sua cama e à espreita em cada canto. Certo dia, acaba agredindo a mãe sem querer, ao achar que ela era um dos monstros que habitavam seus sonhos. Ela, por sua vez, sente cada vez mais medo do filho e tenta buscar ajuda, mas o marido acha que é só uma fase e que isso tudo vai passar.
   Não demora muito até que o pai de Jack também comece a ver coisas estranhas. Uma aparição que surge onde quer que ele olhe. Sua esposa passa a ouvir sons que vêm do oceano e parecem forçar a entrada de sua casa. Enquanto as pessoas ao redor de Jack são assombradas pelo que acham que estão vendo, os monstros que Jack desenha em seu caderno começam a se tornar reais e podem estar relacionados a grandes tragédias que ocorreram na região. Padres são chamados, histórias são contadas, janelas batem. E os monstros parecem se aproximar cada vez mais.

     A história gira em torno de Jack Peter Keenan que, como a sinopse já diz, é um menino de 10 anos com Síndrome de Asperger - um nível baixo de autismo. Além dele, os outros personagens principais são os seus pais, com quem ele mora, e seu único amigo Nick Weller, vizinho e filho dos amigos de seus pais.
     Quando tinham sete anos, Jack Peter e Nick quase morreram afogados no mar e, desde então, Jack Peter nunca sai de casa. Ele e seu amigo passam um dia por semana juntos brincando, e eles sempre passam um longo período brincando da mesma coisa todas as semanas. E dessa vez é a vez de desenharem monstros, pois Jack Peter ficou obcecado nisso.
     No começo, é apoiado pelos pais, que acham que pode ser uma maneira de melhorar a condição do filho e de ele perder sua fobia. Mas com o tempo, coisas estranhas começam a acontecer: criaturas sendo vistas, barulhos estranhos são ouvidos, Nick ficando estranho e Jack Peter se mostrando mais agitado. Seus pais ficam cada vez mais desesperados buscando válvulas de escape para o que está acontecendo.
    Mas tudo fica muito pior quando  Nick vai passar um tempo na casa dos Keenan. Aí que a trama toma um rumo alucinante, de descobertas e ações que vão definir o rumo da história toda.
    Há um tempo eu queria ler esse livro - afinal, quem resiste a uma sinopse dessas? -  e, graças à Amazon e suas promoções, consegui comprá-lo por um bom preço. Além disso, a edição é da DarkSide, com essa capa linda demais.
     Falando do livro, posso dizer inicialmente que ele é uma boa leitura. A narrativa de Keith Donohue é muito boa e ele também sabe criar uma atmosfera de terror e suspense. Os personagens são bem explorados, servindo ao seu lugar na história. Poucos errinhos de português, inevitavelmente (e infelizmente).
     Mas por que não é ótimo, excelente? Bom, primeiro que alguns acontecimentos foram previsíveis e no decorrer da história já não foram surpresa. Em segundo lugar, tem uma história no meio do livro que não precisava ter. Você acha que ela está te levando a algum lugar, mas no fim ela não tem um desfecho, não serve pra nada, só pra te desviar da verdade. E em terceiro, o pai de Jack Peter, que vê certas criaturas (mais de uma vez), mas não se convence nem quando todos - inclusive seu filho e sua esposa -  dizem que tem algo de errado.
    Mesmo assim, depois de tudo, tudo mesmo, o autor conseguiu surpreender e terminar o livro de forma sensacional, que fez valer a pena a frustração de já sermos capazes de adivinhar alguns acontecimentos.

    Keith Donohue é o autor do best-seller "A Criança Roubada" (2007), além de "The Angels of Destruction" e "Centuries of June". Seus livros já foram traduzidos para mais de doze idiomas. O autor tem Ph.D. em Inglês pela Catholic University of America e vive em Maryland.
     O Menino Que Desenhava Monstros já teve seus direitos vendidos para o cinema e será dirigido por James Wan, diretor de Jogos Mortais e Invocação do Mal.


24 fevereiro 2017

Parceria nova e Renovação: gratidão demais!


Oi, gente, o post de hoje é um extra e bem rapidinho! 
   Hoje o Vida em Marte foi um dos blogs escolhidos para renovar a parceria, que em 2016 foi tão preciosa pra nós, com o Grupo Editorial Record. Ao mesmo tempo, mais uma notícia maravilhosa: agora também somos parceiros da Galera Record! Eu não poderia ficar mais feliz com essas notícias. E agradecida também. 
   Então, não tinha como deixar de contar essa novidade pra vocês e deixar minha gratidão gigantesca pra todos que acompanham o blog e me ajudam a tornar essa rede de compartilhamento de leitura ativa. Esse cantinho é realmente muito importante pra mim, poder conversar sobre livros com vocês, trocar experiências e incentivá-los, de alguma forma, a ler é uma realização e a cada passo que damos para nos tornamos maiores e alcançarmos mais pessoas é uma grande vitória. 
   Claro que precisamos de muita ajuda nessa jornada, é por isso que fico tão contente em poder contar com o apoio dos parceiros queridos. 
   Enfim, fiquei emotiva enquanto escrevia isso hahaha mas o post termina aqui com o meu gigantesco agradecimento. 2017 vai ser um ano incrível, com mais e mais leituras maravilhosas para compartilharmos! <3

22 fevereiro 2017

A garota no cemitério, Os impostores (Livro 1) - Charlaine Harris e Christopher Golden


    Ela adotou o nome Calexa Rose Dunhill, inspirada numa lápide do sombrio ambiente em que acordou, ferida e apavorada, sem qualquer lembrança de sua identidade, de quem a jogou lá para morrer ou mesmo do porquê. Fez do cemitério o seu lar, vivendo escondida numa cripta. Mas Calexa não pode se esconder dos mortos – e, quando descobre que possui a estranha capacidade de ver as almas se desprenderem de seus corpos... Então, certa noite, Calexa presencia um grupo de jovens praticando uma sinistra magia. Horrorizada, testemunha o ato insano que eles cometem. Quando o espírito da vítima abandona o corpo, ele entra em Calexa, atormentando sua mente com visões e lembranças que parecem não ser dela. Agora, Calexa deve tomar uma decisão: continuar escondida para se proteger – afinal, alguém acredita que ela está morta – ou sair das sombras para trazer justiça ao angustiado espírito que foi até ela em busca de ajuda?

   Cemitérios, por si só, já são locais assustadores. Imagine então se você acordar em um, sem saber quem é ou o que está fazendo ali. A única certeza é que alguém te quer morta. Foi isso que aconteceu com a protagonista extremamente forte, Calexa Dunhill, que na verdade tem seu nome tirado de uma lápide já que, sem memória, ela não faz ideia de qual é seu nome verdadeiro. 
   Com medo de ir ao mundo e ser pega pelas pessoas que queriam matá-la, Calexa começa a passar seus dias no cemitério, dormindo em mausoléus e roubando comida da pequena dependência do caseiro do cemitério e da casa de uma senhora que mora nos arredores. Meses se passam sem que ela se quer faça ideia de quem é e o que deve fazer pra voltar com sua vida, seja ela qual fosse. 
   Até que Calexa presencia um acontecimento sinistro no cemitério, envolvendo jovens inconsequentes. É então que a garota, que misteriosamente passou a ver as almas se desprendendo dos corpos, recebe a missão de ajudar uma alma a encontrar o seu caminho. 
   Essa é a primeira hq publicada pela Editora Valentina e devo dizer que eles já começaram muito bem! Aqui temos um ótimo primeiro volume, conhecemos a personalidade da nossa personagem principal e já engatilhamos a curiosidade pra saber o que aconteceu com a menina, o que a fez perder a memória e quem a quer morta. Mal posso esperar pelos próximos volumes. 
   A cada dia tenho me tornado ainda mais fã de quadrinhos e esse não deixou a desejar. Temos uma história de terror, suspense e mistério que agrada e muito. Charlaine (criadora de True Blood) e Christopher conseguiram criar uma boa história e o traço espetacular de Kramer (famoso ilustrador de vários quadrinhos da Marvel e, principalmente, DC) deixou o livro ainda mais espetacular. 
   É uma hq leve de se ler, li rapidinho, em aproximadamente uma hora, e assim que comecei já estava envolvida com a trama. Deixo os meus parabéns para os autores e pra nossa querida Valentina, por favor, continuem nos quadrinhos porque esse já foi um ótimo começo! O material ficou fantástico!!
Recomendo muito para todos aqueles que já amam ou os que querem se aventurar pelo mundo dos quadrinhos. 

15 fevereiro 2017

O último adeus - Cynthia Hand

   Poucas coisas no mundo são tão dolorosas quanto perder quem amamos. Lexie sabe disso da pior forma possível: vive a perda do irmão mais novo, Tyler. 
   Alexis é uma aluna brilhante, gênio da matemática que se esforça desde sempre pra entrar no MIT, junta dinheiro pra faculdade, tem um namorado tão inteligente quanto, com as mesmas aspirações e hobbies...  Steven era seu par perfeito, e as coisas iam bem apesar do divórcio conturbado dos pais. As coisas "indo bem" talvez impossibilitaram que ela visse que Ty precisava de ajuda. De novo. 
   Tyler, dois anos mais novo que a irmã, sempre foi uma criança feliz, sorridente. Mas, depois do que aconteceu com seus pais, as coisas mudaram. O pai escolheu trair a esposa, a família, e se mudou com a secretária. Tyler escolheu acabar com a própria vida pela primeira vez. Uma tentativa sem sucesso, mas que mostrou que ele precisava de ajuda. 
   Com o tempo tudo parecia ter melhorado. Tyler agora era popular na escola, jogava basquete no time e namorava uma cheerleader. As coisas iam bem. Nenhum sinal de crise. Então ninguém nunca pensou que aquilo aconteceria. Lexie prometera que estaria lá pra ajudar o irmão quando ele precisasse. Ele precisou e ela não estava. Foi então que Tyler se matou na garagem de casa. Com um tiro disparado por uma arma de caça, dessa vez ele obteve sucesso em seu plano de suicídio. 
   Depois de alguns meses da morte de Ty, as coisas continuam muito difíceis de lidar. É claro que a dor não vai embora e, apesar do tempo ajudar a cicatrizar um pouco as feridas, vai ser inevitável sentir aquele vazio, aquele buraco no peito quando as lembranças começam a aparecer. Durante a história vamos acompanhando Alexis nessa jornada de tomar o rumo de sua vida de volta, as rédeas para conseguir viver novamente depois dessa perda devastadora, mesmo com a dor.
   A mãe decidiu que sua vida tinha acabado. Sempre chorando pelos cantos, começou a beber muito e tomar remédios para conseguir dormir. Não sabemos muito bem dos sentimentos do pai, mas é claro que ele se culpa também, sente muito, mas continua com sua vida normalmente. E Lexie parece estar nessa sozinha. Sem mais ninguém, nem mesmo Steven, parece que a única pessoa que estava lá para ouvi-la era o terapeuta Dave, que sugere que seus sentimentos transbordassem em palavras em uma espécie de diário, para que ela lembrasse e jamais esquecesse seus momentos bons com o irmão. 
   Em uma montanha russa de sentimentos, Lexie tenta sobreviver com o pensamento de que a culpa pela morte do irmão era sua. Tudo fica ainda mais difícil porque ela acha estar sentindo o irmão em certos momentos e lugares, o cheiro do perfume marcante de Ty domina o ambiente sem aviso, abrindo aquele buraco no peito cheio de dor que parece que vai engoli-la. Até que ela encontra uma carta escrita por Ty, endereçada a Ashley, sua ex-namorada. 
   Alexis fica até mesmo furiosa com o irmão. Como ele poderia ter deixado a ex-namorada com uma carta inteira de despedida enquanto ela não tinha nada além daquela mensagem de texto... nem mesmo a mãe, quem chorava a todo instante pela perda, tinha uma carta com as palavras de Ty, tudo que tinha era um post it colado no espelho: "Desculpe, mãe, mas eu estava muito vazio". 
   Com uma narrativa incrível, envolvente, Cynthia Hand nos conduziu perfeitamente por uma história de dor, perda e superação. Me senti muito envolvida pela história do começo ao fim. Adorei a escrita da autora e consegui perceber durante a leitura que ela entendia muito bem todos esses sentimentos dos personagens, ainda mais os de Lexie, que são aqueles que mais temos ciência, já que o livro é narrado em primeira pessoa por ela. No final da história, com um texto lindo e comovente, escrito pela autora e endereçado aos leitores, é que entendemos como Cynthia Hand parecia tão conhecedora do que acontecia no interior da irmã mais velha que sofre a perda do irmão. 
   Esse livro foi um daqueles que mal tenho palavras para expressar o quanto adorei. Fazia tempo que não chorava de verdade com uma história e O último adeus conseguiu fazer escorrer muitas lágrimas pelo meu rosto, até mesmo durante meu trajeto dentro de um ônibus lotado. Foi uma leitura maravilhosa, rolou um tipo de identificação sem igual com essa história que seria muito pessoal eu mencionar, mas que me fez sentir mais mexida ainda com a leitura. 
   Achei o livro lindo, e quando acabei me senti até mesmo renovada. Não poderia deixar de dar a mais alta nota pra essa leitura: o livro foi favoritado, entrou na minha listinha de livros inesquecíveis, pra levar pra vida. Obrigada Cynthia Hand por escrever algo tão magnífico e profundo assim, obrigada por compartilhar até mesmo seus próprios sentimentos... obrigada Darkside por trazer essa obra incrível e (como sempre fazem), deixá-la tão maravilhosa assim e, por fim, obrigada, meu namorado lindo, por ter me dado esse livro que me tocou tanto, acho que nenhum de nós dois imaginou que ele seria uma leitura tão bem sucedida assim e entraria pra favoritos da vida, né?. 
   Por fim, leitor, depois de tudo isso não posso faz mais nada além de simplesmente implorar para que leiam essa história. De verdade, se existisse um selo aqui no blog de "VOCÊ TEM QUE LER PRA ONTEM!" com certeza esse livro faria parte do seleto grupo que receberia esse selo. Por favor, não deixem de conferir essa história, não tenho dúvidas de que vão se encantar, se envolver e adorar a leitura tanto quanto eu.



Como foto bônus, a nova integrante da família: Kookie <3 Precisava mostrar pra vocês que ela não queria me deixar tirar as fotos hahaha


Compre o livro aqui e ajude o Vida em Marte a crescer ainda mais!


12 fevereiro 2017

Sobre Literatura Fantástica - e uma nova parceria do blog!



Ei, leitor, você sabe o que é literatura fantástica? 

   Pra essa pergunta eu tenho 99,9% de certeza que você respondeu que sim. Afinal, são muitos os livros do gênero que conhecemos e, de fato, ganharam o mundo e o coração dos leitores... mas, você sabe como tudo isso nasceu? Já se perguntou da onde vêm? Já tentou definir o fantástico?
   Nessa semana o Vida em Marte foi anunciado como um dos parceiros da Editora Lendari, uma editora amazonense nova, com poucos livros publicados mas que promete trazer o que há de melhor na literatura fantástica do Brasil e revelar novos autores. 
   Pensando nisso, além de contar pra vocês essa grande novidade pro ano e 2017, venho conversar um pouco sobre essa tal literatura fantástica que, pessoalmente falando, encanta muito. 
   Em um livro muito bacana publicado pela Editora Perspectiva, Tzvetan Todorov, depois de muita reflexão, conclui que, de fato, o fantástico é um gênero literário legítimo. Para analisar um pouco essa perspectiva, ele reúne autores como Kafka, Poe e a obra As Mil e uma Noites.
   Para Tzvetan, a singularidade de cada um desses autores causa o estranhamento de serem postos em uma mesma categoria, isso porque essas obras podem ser divididas em dois aspectos: o natural, que é definido como o Estranho; e o sobrenatural, definido como Maravilhoso. 
   No natural temos histórias que são tratadas de maneira racional, como ficções centíficas, romances policiais...; já as maravilhosas são aquelas que abrem espaço para o uso do sobrenatural, onde extrapola-se a razão, nesse caso temos os contos de fadas, por exemplo. 
   O fantástico, o sobrenatural e o natural andam de mãos dadas e muitas vezes é difícil fazer a distinção entre eles. Quando essa distinção entre Maravilhoso x Estranho se torna impossível, o Fantástico vem à tona. Um exemplo disso é o conto "A Queda da Casa de Usher", de Edgar Allan Poe. Nessa história temos o fantástico já que em momento algum é possível dizer se a queda é algo sobrenatural ou se é apenas devido à estrutura velha. 
   É possível passarmos horas e horas divagando e aprendendo mais sobre o fantástico. E isso é maravilhoso, encantador. É um gênero incrivelmente abrangente e que conquista muitos leitores a cada dia. O escape da nossa realidade. Uma narrativa que permite-se ser levada para além dos limites do imaginário. 

Não deixem de comentar aqui o que pensam sobre o assunto... quais os seus livros favoritos desse gênero? 
Conheça alguns livros da Lendari: 
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